segunda-feira, 6 de junho de 2011

O suicídio da exploração

Nós dormimos envoltos
de pedras modernas
que foram erguidas
pelos braços e pernas
de pedreiros sofridos.
Temos comido banquetes
que foram bancados
por indivíduos que nas
bocas entra mais
cansaço e pingo de suor
do que um pedaço só
do que está em suas mãos.
Operários pegam o coletivo,
ou a bicileta, para chegar
na hora certa
de fazer nossos carros,
produzir nosso pão.

Enquanto uns aproveitam
essa evolução, fruto
da rapinagem, a milhares
é dada a margem
para fazer suas escolhas:
não tendo escolha de não
ter à margem a propria vida.

Eles que possibilitam
a própria existência
tem uma deficiência em viver.
Sua alienação é
a alienação de todos
e o individualismo é
um tiro no ouvido:

Deixá-los morrer é
se ver morrer.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

De Maceió dá pra ver o mundo

Estou enfiado na vida
como todos que vivem
nesse mundo sangrento.
Atento, estou em Maceió,
coroada como uma das piores.

O melhor e o pior canto
do mundo, no fundo,
de diferenciação só tem o grau:

Onde em Maceió mata-se muito,
em outro canto do mundo
mata-se menos ou mais.
Se em Maceió tem muita fome,
em outro, tem menos ou mais
pessoas comendo.

Em Maceió paira o medo,
pois o medo paira no mundo inteiro.

Nessa cidade, como em outra
qualquer, a criminalidade
cutuca a mente do desempregado
enquanto que a corrupção cutuca
a mente do assalariado.
É uma vida miserável.

A história de Maceió
é a história do mundo,
contada sob uma estatística variável.

domingo, 22 de maio de 2011

O monstro do fim do mundo

O trabalhador precisa
da macaxeira no seu bucho,
tomar o café, às vezes, com leite
e descansar nas poucas
horas que sobram para
minimamente continuar
vivo como está.

Enquanto que o burguês,
além de precisar beber, comer
e descansar, precisa, com
maior necessidade,
explorar os trabalhadores
para minimamente continuar
vivo como está.

O burguês pode,
por inúmeros motivos,
passar um ou mais dias
sem comer, beber e descansar.
Mas, sob pena de deixar
de existir enquanto burguês
e perder de vez os privilégios
desumanos dessa forma de viver,
não pode nem imaginar
em deixar de explorar
outro ser humano um dia se quer!

É por isso que toda a burguesia,
está doida pra convencer a freguesia:
de que sua forma de viver é a única possível,
e que está lá no mercado pra todo mundo ver.
Só que protegida por um preço acessível
para quase ninguém ter.

E se para salvarmos o mundo
e o ser humano, precisamos
acabar com a exploração e o mercado,
para o pensamento burguês,
o fim do mundo já chegou,
está com os dias contados.
Pois é impossível viver num
mundo sem exploração e sem vender mercadoria.

É possível sim para o ser humano,
só não é possível para o monstro e sua cria:

O capital e a burguesia.

sábado, 30 de abril de 2011

Eu queria ser um ser humano

Eu não queria ser
nada disso aí,
pois eu queria ser
tudo o que pudesse.

Eu queria ser
um ser humano.

Eu não queria ter
que ser um médico,
um pintor, não
queria ter que ser
um ator, um advogado,
um pedreiro,
eu simplesmente
queria ser eu por inteiro.

Eu queria aprender com a vida.
Queria conhecer a minha comida,
pintar quando quiser,
ler pra descansar,
filosofar no intervalo,
e construir
quando fosse preciso.

Eu queria ter que ser eu,
um ser forjado por
mim mesmo em contato
com o resto da humanidade.

Eu queria ser um
ser humano, e ter
a chance de
conhecer a felicidade.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Além do Mito...


Nossa luta é pela educação
mais humana possível:

aquela que torne crível
dentro de cada indivíduo
o poder que existe na sua mão.

Essa consciência, ainda
que digam que não,
é o instrumento para
escrevermos nossa história.

Lutamos não por sermos
diferentes dos demais.
Pelo contrário, nos
sentimos tão iguais
que sentimos doer
forte a dor do mundo.

A única diferença
é não acreditarmos
no mito de que não podemos
ir além do que somos hoje

É por isso que vem
do fundo um grito
forte, firme e esperançoso:

revolução!


*Poema feito por mim para o "Além do Mito...", grupo de estudantes formado para atuar no Movimento Estudantil da Universidade Federal de Alagoas, e que pensa a sociedade como um todo. Mais detalhes: http://grupoalemdomito.blogspot.com/

domingo, 10 de abril de 2011

A marca em mim

Há muito não
me sentia numa
sintonia tão
envolvente.

Talvez sua voz no
telefone, ou
suas declarações,
talvez um beijo caliente,
quem sabe as reflexões,

é o que me faz crente
de que já marcaste
uma cicatriz em mim.

sábado, 9 de abril de 2011

Da luta fomos ao luto


A luta por uma
transformação se
transformou na
ação de estar
apenas de luto.

A ajuda do ser
humano é fazer
um minuto de silêncio
na hora da confusão.
Passado seu tormento,
abre o olho,
finge que esquece,
finge que não,
caindo num silêncio

permanente.

Da luta, fomos ao
luto: antes fosse como
presente do indicativo,

pois hoje é indicação
de um espírito covarde.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Espírito Escravo

Hoje eu chorei
a angústia de
ver o espírito humano,
inquebrável, prisioneiro
do mercado.
O dinheiro, expressão
desse cercado lucrativo,
tem o objetivo de,
pouco a pouco, tornar-se
a mediação de tudo.
Ao passo que isso acontece,
se tece no tempo um
momento histórico em que
tudo passa, tudo padece
na mesma certeza em que
tudo fica, tudo permanece.

Enquanto o mercado,
fator efêmero fundamental
de todas as mazelas,
for tratado como eterno,
é certo que
o espírito de ninguém
amanhece, só anoitece.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Pergunte-se:

O que exatamente
eles querem
quando dizem no
meu ouvido que
é extremamente
natural a mente
do ser humano
se voltar para o
mal, beber egoísmo

e comer capital?

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Direitos Sociais

Quando falam que os
direitos estão para todos:
isto é a elite falando,
e existe um abismo enorme
entre a fala da burguesia,
e o dia a dia do
explorado que não estuda,
mal come e mal dorme.
O direito só como direito
não serve para a dignidade,
mascara a verdade do homem,
só confunde a cabeça daquele
que pensa que só falta aplicar.

Mas não se trata de
força de vontade, muito
menos é a falta
de bondade no mundo.
Por mais que se tente,
que se queira, há
o obstáculo principal:

Não há como dar liberdade
à vida daquele que
nasceu condenado pelo capital.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O Trabalhor Assalariado


O trabalhador chega
em casa carregando
sua dor presa em seu Espírito.
Dor que surge na
hora do contrato,
que é o contato de
sua alma com a prisão
existencial do capital.
Sua exploração é tamanha
que trabalha tanto ao
ponto de não ter
tempo para pensar.
A artimanha de quem
finge pagar, proteger e
organizar, é fazer com que
todos pensem que
isso é que é viver.
Não é o que parece,
para seu filho que
mal entrou na escola,
e tem que pedir esmola
para ter o que comer,
já que mais esse direito
ninguém nunca respeitou;
e, chorando, pergunta todas
as noites a seu pai se a nossa
escravidão ainda não acabou.

sábado, 30 de outubro de 2010

Cotidiano Romântico

Talvez você
estranhe
se eu te falar
que num dia normal,
sem nada demais,
nada de excepcional,
eu me peguei
fitando
o seu sorriso.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Direito do Povo

Se dura lex,
sed lex,
no latim segregador,
a lei é dura,
mas só dura no silêncio,
e a dor que ela
causa pode acabar.
Então que todos saibam:
a lei é dura,
mas se o povo bate,
bate e bate,
até a lei pode furar!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O sorriso

Hoje o sol me bateu
diferente, e eu não
queria sorrir, mas
pensei em você
e não consegui mais sofrer.
Tentei, mas não consegui
provocar aquela dor.
Foi aí que eu abri a janela, sorri,
deixei o sol me cobrir e percebi:

meus poemas estão
piores porque eu estou feliz.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

O Buraco da Fechadura


Está lá um homem
descalço, pisando,
no sol quente e comendo
o pão pisado pelo diabo.
Dizem que ele
chegou atrasado
e que quem chegou
primeiro já escolheu
ganhar sem trabalhar.
E o sistema de mecanismos
dizem a ele que ele
acredita nessa história.
E ele vai sempre acreditar,
ele fica calado, ele
jura que não reclama
que não tem saída.

Até o dia em que ele
olhar pelo buraco da fechadura.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Aquela Mulher

Numa sala repleta
de letras,
nadavam palavras
tímidas, singelas
e lindas.
Na minha língua
faz-se nostálgicos
os abraços calados
que nos desatinava.

Voz feminina fazia
compor nos ouvidos
aquele meio escondido...
e de fotografias montava
a miragem do oásis
em torno dos meus olhos.

Éramos ambos a lamber
a face da oportunidade
que se escondia em meio
a confusão.
Ao destrancar a minha
caixa de pandora
fiz de toda areia do
meu deserto uma
certa ilusão e
daquela boca a palavra
que se afina.

Calado foi-se o lábio
que nunca foi dueto.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Veja só que minha
cabeça não tem motor
pra senhor ninguém
vim botar pilha.
É sim uma trilha que
eu construo todo dia,
sorriso por sorriso,
dia por dia, dor por dor.
Maria, Maria, já disse
que você tem que deixar
de besteira, fazia que nem
via, nem ouvia, deixa
esses 'doutor'
falar o que quiser.
Só não quero que metam o
pé onde tem mina armada,
onde o corpo é blindado,
e a cabeça fechada.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Poema Inválido

E ele estava
sentado na
sua varanda,
com um copo
cheio de vinho tinto.
Tenta pensar em
outra coisa,
mas era como
se aqueles fios
de cabelo e aquele cheiro
não dessem
trégua nenhuma.

Mas o que
fazer agora, afinal,
se não contentar-se
em sentar sozinho?
Se lembrar
das cores do seu
vestido, elogiar a
delicadeza de suas mãos,
a atração dos seus olhos;
Se pedir para que
não esconda sua
beleza com maquiagem,
dizer que sorrir
a deixa mais bonita
não é bobagem;
Se a preocupação
com seu bem estar,
ser sensato
e querer um jantar a dois
algumas vezes por semana parecem
ser coisas que não tem valor.

E isso é tudo o que ele tem.
E o que quer ter.

domingo, 9 de maio de 2010

VI

Maldita crise que bate
em quem existe.
Triste daqueles que se
importam com esse tipo de coisa.
Lembro ter escutado
que ela tinha ido embora,
mas agora vi que ela
sabe o caminho da volta.
Eu que achei que tinha
um brilho no sorriso,
agora acabo me preocupando
com quem vai me
acordar pelas manhãs.
E o ruim não é perder as horas,
mas a voz que eu ouvia.

sábado, 8 de maio de 2010

V

Hoje eu acordei
com o sol me
batendo na cara.
Embora não quisesse
acordar, para não lembrar
o motivo de ter ido
dormir, tinha que levantar,
batia-me muito
forte de um lado.
Com o outro, tentei abrir
metade do olho,
para me localizar.
Localizado,
localizei minha falta.

E o pior é quando faz falta.
A saudade é coisa louca,
começa pela boca, dá um nó
na garganta, faz da carne mais
passiva a mais braba, e, por
causa dela, essa manhã, triste,

eu tirei minha barba.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Interesse

Interessam-me aquelas
cócegas feitas no nariz
quando num beijo na nuca.
Aquela brincadeira de
sorriso no rosto, despreocupados.
Interesso-me pelas mãos
entrelaçadas, altamente bajuladas;
pelo namoro das nossas coxas.
Se eu estiver dormindo demais,
por favor me acorde
se for pra ganhar um beijo de bom dia,
ou se for para eu ir embora.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Chama

Às vezes acho que

se eu fosse só uma
chama, me espalharia
por entre as palhas
de todos os pontos,
queimaria tudo a minha
volta, mas sem revolta,
com alegria, faria o
fogo cobrir tudo, sorrindo.
Se eu fosse sua chama,
me queimaria por completo,
me deixaria repleto de
armadilhas, em ilhas de
calor, guiadas ao sabor do vento,
nunca me deixaria morrer
de frio, nem mesmo dormindo.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

IV

Mais cedo, ou
mais tarde, se
percebe que
ninguém pode me ter
pela metade.
Sou por inteiro
quando me
sinto inteiro.
Sou nada quando
sou pela metade,
nem lá, nem cá.
Em cima de um muro
sem nome existe
uma pessoa que
quer pular, seja
qual for a queda,
seja qual for a dor
seja qual for a verdade.

domingo, 18 de abril de 2010

III

O tempo há de dizer
o que se há para dizer.
Enquanto isso o tempo passa
e eu abraço esse tempo
em que todo momento
me sinto mais atento
a cada segundo que tenho.
Qualquer coisa que o tempo
me diga, eu tenho colocado uma
resposta meio que na ponta da língua:

- Nunca fui tão eu mesmo.

terça-feira, 13 de abril de 2010

II

Eu ouvi a ventania
soprar uma
novidade no meu ouvido.
Traz no sussurro
um sentido de
familiaridade.
Eu, como pequeno moço,
disse que sou forçado
a fazer um certo
esforço para não
parecer piegas.
Mas sei que ela ainda
me pega no flagra:

no meio de um poema,
de uma música, de uma
semana ou então quando
já estiver com saudade
desse vento que acabou de soprar.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

I

A voz que vez
se fez matinal,
abriu-me os olhos
tal qual um sorriso.
Ainda digo, em apelo,
aos pelos e cheiros,
que não sou tão mau,
só um pouco, talvez.
Aquela reciprocidade é um
pouco mais
profunda, na verdade.
Os ouvidos com a música,
os dedos entre os cabelos
e os olhos com o olhar,
salvo engano meu,

me pareciam sorrir também.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Dedo Julgador

Estou vendo que
falar ao ouvido fechado
é coisa perdida.
A verdade tem que ser
dita quando primeiro
se tira a mão da orelha.
Aí vem vocês dizendo que
qualquer dedo se assemelha
ao indicador na hora de julgar,

mas esquecem que,
ao trocar de lugar,
julgamento vira uma coisa
muito alheia e apontar,
uma coisa muito feia.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Cego Mundo

O mal olhado do mundo
parece que não se ajuda,
muito menos se cura
nem mesmo com
flor de arruda.
Então, a gente ouve que
quem tem a noção
do perigo põe
logo no juízo fazer um trato:
cada um fica para um lado,
ele não olha mais para o mundo,
e o mundo fica de olho fechado,

guiem-se pelo tato.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Desculpa

A culpa é tão
maçante diante do
respectivo culpado.
Avalie, ainda por cima,
carregar a dos
outros nas costas, amarrada.
Mesmo cada um carregando
a sua, como combinado,
o suor, o sangue e o gosto
ruim na boca não
escapam de quem
tem essa dívida desgraçada.

Afinal, quando foi que a
culpa tornou-se tão
amarga e tão pesada?

terça-feira, 2 de março de 2010

diálogo

- tem certeza?
- não, claro que não.
nesses últimos dias,
não tenho certeza
de quase nada.
- e por qual motivo
não demora mais um pouco lá?
- cada pouco que demoro,
me dá mais vontade de ir embora.
- tenha juízo, quem nunca errou?
- isso não vem ao caso.
- você acha que merece?
- no caso, como se mede o merecimento?
- me parece que
pesando numa balança.
- e quem pesa na balança?
- entendi o seu argumento.
- bom, vou indo, tenho que arrumar
as coisas pra não me atrasar.
- o que vai levar com você?
- tudo o que eu tinha pra dizer,
o que eu tinha pra mostrar,
pra viver, pra chorar e pra sorrir.
- então, pelo visto,
pretende sofrer?
- depende do ponto de vista.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Luz É Rasa?

A luz que existe
dentro de um vaso
pode parecer rasa demais
pra iluminar
um quarto inteiro.
Mas nunca se sabe o que
realmente é suficiente
pra uma boa iluminação
do seu ambiente.
Sem dúvida, nem que
se tente a vida inteira
pode-se achar, por certeza,
uma vela tão acesa ou um
cadieiro com o gás cheio
pra se gastar em toda a vida.

Ou seja, infelizmente,
iluminada ou não,
ela tem que ser vivida.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Dor Solo

O medo da solidão
assola o homem por anos e anos.
Mas quem sabe de verdade
o dano de estar sozinho
é só quem morreu só, sem
ajuda de senhor ninguém.
Quem ainda não morreu solitário,
pode, no máximo, escrever num
diário o que acha dessa dor.
Um palpite ou um chute: quem falar além
está, sabendo pouco, falando demais.

Eu arrisco um palpite: nessas horas
morre-se mais ou menos assim:

- Mais um gole. E nada mais.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Confession


Acontece que leio
I miss you em tudo
o que for americano.
Sometimes não mais
me engano e não finjo
que trancar um
i'm so alone, com a voz rouca,
não dói a boca
do outro lado do telefone.

sábado, 12 de dezembro de 2009

A dor

A força da dor não
está numa multidão,
em bate bocas.
Seu fortificante é
a solidão: nauseante,
fria, crua, solitudemente
sem cor, sem charme, sem chão.

sábado, 19 de setembro de 2009

Aos Terráqueos


Essa tal vida mundana
nunca esteve tão
a ver com a terra, o planeta.
É tão verdade que
quem não a tem,
parece que mora em
estrela, anda de
cometa ou pilota meteoro,
tanto faz,
só não é desse mundo.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Existe um Trocadilho

Com todo respeito ao
falecido, mas acredito
que René Descartes
está se revirando no seu
túmulo, está fazendo
tumulto no céu ou quem
sabe no inferno.

Aposto minha existência
que já chegou a notícia:
- René, descartaram
seu "penso, logo existo."
faz um tempo que estão
existindo sem pensar mesmo.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Inocente Confesso

Desistir, amedrontar-se,
errar, perder
entre outras tantas
coisas se tornaram
as coisas mais fáceis do mundo.

quem discorda ainda
não achou a quem culpar.

Fracasso

Interessante como
o medo do fracasso
move tanta coisa
sem o querer.

Até parece que fazer
a própria vontade é
andar numa
corrente de fraco aço.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Anonimato

A verdade é que,
com isso, eu não
sou autônomo. E não
sou tanto quanto
sou anônimo.
O que antes me
batia num ritmo
semi-revoltante, tornou-se
a paciência de esperar sua
saída, sentado, de
maneira confortante.

Isso, agora acho
engraçado, o que outrora
seria desgraça. É piada
ou não é, perguntar
o que será
de um poeta que
já faz poemas de graça?

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Triste Vida Canina

O mundo pode
até ser cão,

mas a maior
tristeza, pra
mim, é quando
um semelhante
começa a latir.

sábado, 4 de abril de 2009

Diário

Meu passo que
era longo, encurtei.
Notei que
podaram minhas
asas como se
poda galhos
secos de
uma árvore.

Mas sei, por dentro,
que correndo até
um espelho,
ainda que lento,
posso ver aquele
sorriso satisfeito,
aquele brilho sonhador
lá no fundo do meu
olho. Aquela vontade
pronta na ponta da
língua de fazer piada,
a garganta pronta
para dar uma
gargalhada. Aquela
olhada de lado de um
desconfiador,
com uma sobrancelha
levantada. Meu
silêncio por ficar
sem jeito, o meu
humor de rir
da minha tristeza
e o meu desajeito
ao rir sem pudor.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Outros olhos

Mais parece que
quem muito se
importa, muito
se entorta a
cada soma do
dia. Quero nem
ver quando ele
não se importar
nem em abrir
a porta e
passar por
cima com uma
cabeça bem fria.

Será tão triste
como Da Vinci
pintar Mona Lisa
de costas,
indo embora
bem a vontade.
Como aquilo que
está bem ao
lado e dá saudade,
como quem morre
afogado na
tempestade de
um copo d'água,
como um rio
que deságua
face abaixo,
como tudo que
era riso e o
tempo fez agonia.

Mais parece que
quem pouco se dá
muito se apega
ao comodismo de
achar que dar
importância
não passa
de ser piegas.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Os Torpes

Sem alarmes
e em total
silêncio, o
o torpe foge dos
seus deveres
e dos seus
sentimentos
sem maiores
dificuldades.
Torçe o braço
para a verdade
de que suas
emoções estão
na sua barriga.

Deve ser difícil
vomitá-las quando
necessário.
Deve ser
difícil guardá-las
quando se estar
de estômago cheio.

O torpe nunca
está satisfeito,
quer sempre
novos ares e
novas apostas.
Isso tudo deve
ser complicado
assim como acordar,
desatado, e notar
que o que pesa
nos ombros são
os próprios
calcanhares.
E que, na verdade,
é o mundo que o
leva nas costas.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Consultório

Nesse preto
sofá do consultório
médico, onde o
vento me
bate frio nos
olhos, o fio
do meu olhar
congela uma
imagem, tal qual
uma miragem,
daquilo que me
faz desentender,
coisas que não
sei desdizer.

Dá-me uma vontade
louca de pegar
os meus erros
pela boca e
emoldurá-los na
testa de
maneira viril.

Aqui dentro me
consulto e engulo
o futuro diagnóstico.
Embora por
dentro, eu sei
que é lá fora
onde eu me curo.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

A Proeza dos Dias

Que a tristeza
se satisfaça
com uma lágrima
diminuta;
que meus minutos
tenham a proeza
de apressar-se
ou tornar-se
eternidade
quando necessário.
Há uma verdade
no ideário de
viver intensamente
cada dia.
Um dia ele
se vai e a
noite é quem vem.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Alarde do Poeta

Zarpa uma
parte do tempo
para dentro de
um mar sem
aparte.

Tenta-se fazer
arte com o que
causa qualquer
morte em uma vida
que muito, ou pouco,
demais arde.

Tolo é o poeta
que morre lentamente
a todo momento
sem ser notado,
calado, por não
fazer alarde.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

O mundo



O mundo agora é pouco.
Tudo é pouco. Todo mundo
tornou-se um pouco
de tudo. Talvez o mundo
tenha se tornado pouco
perto de todo mundo.

Até os dias ficaram mais
curtos e mais calados.

É tudo tão pouco que
até as paixões, hoje
em dia, em sua maioria,
duram pouco.

Só o que não é pouca
é a dor de fazer
pouco de si mesmo.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

9 (nove)


Meus cotovelos ardem
sem minha atenção.
Já tenho preocupação
demais no pensamento
cá petrificado nesta
alta janela.
É estupidez substituir
um egoismo por outro.
E na rapidez que
me amanhece, ocupo-me
em pensar na madrugada
que se acerela.

Avisto lá, vindo nesse
horizonte, uma faca
de dois gumes. Sedenta
para me cortar, restando-me
a escolha por qual
lâmina quero sangrar
nessa madrugada que
se afina.
Estou trépido demais
para saber se ambos,
eu, ou essa estrela
é quem cai daqui
de cima.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Alto Sofá


Cismo cá neste sofá.
Questiono se durmo
ou se finjo.
O silêncio, que
circunda os ares dos
diálogos, desvia
a luminosidade que nos
invade pela varanda.
Tudo. Gritos, sirenes,
estrondos. Tudo já faz
parte desse cinema mudo.

Desacreditava que se morre
de sono até que o primeiro
boquejo me veio automático.

Duvido se toar é útil,
se querer é o bastante,
se rastejar é necessário.
Dessinto o recinto quando
me pergunto se corro
ou se morro, pra não ver
meu alto sofá
se tornar só ermo.

Há tanto silêncio que
quase ouço pensamentos.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Mugidões


O nascer do astro
vem anunciar, a cada um,
a hora de bater
o ponto no seu
respectivo curral.
Minha mochila nas
costas não me rotula
e não define a qual
rebanho pertenço.

Lá fora, embaixo d'água,
vê-se cabeças caladas,
quietas, mansas, esperando
a chuva passar.
No escuro, tímidos mugidos.
Nem livros, nem caneta,
nem a felicidade
vendida em
porta-retratos, podem
retardar a vinda
de um selecionador
matadouro.
Oportunidade é inútil
para quem não
morde o ensejo
enquanto há tempo.

Cogita-se uma fuga
do pasto. Troca-se,
então, o curto curral
pelo conforto de uma
dura cadeira de balanço,
localizada a beira da
janela, no recanto
do olhos,
numa ébria manhã ensolarada.
Escutando a banda
preferida, os olhos são
encandeados pelo sol.
Um último tímido mugido,
escutado pelas quatro
paredes, um suspiro,
uma saudosa lágrima,
e o mugidor está pronto
para o seu abate.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Abismo


Vez me perco
em mim. Olho-me
rente ao espelho
e esqueço quanto
tempo faz que
o mundo me veio.
Todos têm razão
quando dizem
que nunca criarei
asas para pular
de tão alto assim.
Quando dizem que
a estrada é desconhecida
e é perigoso
contestá-la.
Mas mergulharei
nisso que é abismo
enquanto a queda não
rache-me a cabeça, que
é dura, e se não me
engolir num desvairo
aproveitarei
cada suspiro desse
vento que é ventura.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Vendaval

As retinas falam
sobre o vento que
começou a rodopiar.
Inofensivo para quem
possui as pernas,
até os joelhos,
enterradas no concreto.
Preocupante para
quem não tem.



Na volta angustiada
para casa,
tranco o amanhã
entre portas para
a boca sorrir aquilo
filmado pelos olhos
no dia anterior.

Nada é suficiente
para prever o novo
fim.
Desapareço com as
chaves, encho o tanque,
percorro milhas até onde
o humano tenha calor.
Desacredito no destino
e ele, ríspido,
desistiu de mim.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

A Valsa


Danço essa valsa
desmedida.
Minha dança,
desentendida,
parece excêntrica
dançada no meio
desse salão.

Erro os meus passos
impensados que não
tive tempo de
ensaiar.
Minha sombra, meu par,
dança sobre os
pés das cicatrizes
que levo nos bolsos.

Perco o compasso
da minha presença
e no meio da minha
valsa torna-se
falsa a minha vontade
de dançar.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Corpo Ermo


I
Ele que só pisa
em tristeza, dispensa
destreza para
enfrentar
a escuridão.
Vive apoiado no ombro
da conformidade, amarra
os pés em estrelas
e insiste em beber
a plangente saudade.

II
Ele que se corta
com egocentrismo
não enxerga a cor das
palavras que usa em
vão.
Procura alguém que
ouça sua indiferença
e sinta sua ausência
gritar alto todo
seu egoísmo.

III
Ele que conserva
rudeza
reserva seu vinho
para enganar o
ermo do seu corpo.
Faz na boca
palavras sem dúvida
de sua falsidade
e não pára de comer
sua verdade com as mãos.

domingo, 25 de maio de 2008

Luz Oceano


A luz arbitrária
por entre obstáculos
escondida no cômodo do
horizonte distante que
vive numa ilusão quase plena
desnuda, gélida, tentante
faz ciúme vil
numa cama tão pequena.
Como o amor poeta nato
compositor de canções
ventura que rima
desalento com
tentação escrito
nas palmas unidas
de um par de mãos.
Suas brandas luzes que
se foram,
ido todo seu compasso
perde-se lá no oceano
congelado o horizonte da
primavera embarcação.
Tão nocivo oceano
cria prantas tempestades
joga planos compassados
afoga fracas luzes
em plenitude solidão.

domingo, 18 de maio de 2008

Tempo Regressivo


Cala essa letra
cheia de vingança.
Acaba esse tempo
cheio de falsidade
crua
e nua se faz
palavra na ponta da tua
língua.
Abre esses olhos
com tanto embaraço
numa manhã cinza
repleta de regras
e
vê como é inútil
vingar-se do
pobre inocente.

Zera essa conta.
Recomece a contagem do
tempo regressivo que
eclipsará o prazer
dos teus prazeres...
e tua vodca vira aguada,
inúteis viram as tuas rimas,
adversos, os amigos,
triste e opaco vira o sexo.
Findado os números,
a mesma manhã tão fria
e tão cinza te
mostra a falta do deleite
por olhar demais para
aquilo que tanto te falta.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

A Morte de Eulírico


O Eulírico morreu.
Suspirava enjôo de falas
velhas.
Chorava em
versos engarrafados
vendo o tédio
escorrer nos dedos.
Sangrava afeição
relembrada,
amava intensamente
a vontade de viver
morrendo
e morreu tendo uma
garrafa de poesia nas
mãos.

Vivia embriagado de
euforia,
se drogava de palavras
quebradas,
quebrava a cara
em
abismos de deserta
má intenção,
fumando sua
melancolia tinha
costume, todas as noites,
de afogar-se
em lagos efêmeros.

Rosas de álcool
e bombons de
teimosia eram
entregues junto das
palavras
dadas para
a amada Solitude.
Solitude, mulher viúva fria,
que tinha sexo triste
com
faíscas de injúria,
tramou a morte
de Eulírco.
Matou-o com um abraço forte
sufocante
sem chance para
despedir-se de suas amantes
nem para
um último gole
de sua poesia.

domingo, 11 de maio de 2008

Da Noite, Gritos


Era noite.
Rumorosa.
Não estava fria, como sempre, para mim.

O barulho obrigava-nos
a gritar com os olhos
e nós sabíamos bem fazer isso.
Acho que eu sabia...

Gritei algo novo naquela noite
e a distância diminuiu
consideravelmente.
Foi perto o bastante pra lhe
mostrar,
com um olhar simples,
algumas palavras que antes
eu nunca tive coragem de expor
com a voz.

Ficamos ali, nas mesmas falas:
caladas, com ósculos e
amplexos...
dizendo várias rimas
e
nada dizendo novamente.

E tão de repente,
acabaram-se as palavras.
Vi a distância se
apresentar.
Perdi você no meio daquela
multidão que
pulava e ria,
enquanto eu me agoniava.

Começou a ficar frio.
Acabaram-se os gritos.
Acabou-se o barulho.
Acabou-se a noite.

Fitei meu resto de olhar
por todo aquele espaço,
agora vazio e silencioso,
desejando
que a próxima noite
dure o bastante.
Bastante para deixar-me
surdo
como nunca fiquei.

sábado, 10 de maio de 2008

Metamorfoses da Vida


Tive um medo
que era de ser
eterno,
ser imutável,
viver uma vida
sem minhas metamorfoses.

Morri minha terceira
vida
buscando acertar
o dedo nas poucas
qualidades
e nos defeitos.


Acendia e apagava uma
vela
de sonhos por vez,
protegendo, do fogo,
minha realidade.
Acendia conforme
queria um sol pequeno
aquecendo minhas
tristezas.

Desejos impudentes
impuseram meu medo
de viver no
paraíso...
larguei minha harpa
e desci para desejar,
sem ser reprimido,
no quente do
inferno.

Se eterno não sou,
dou graças,
peço licença
e me suicido.

Tão simples,
começo uma outra vida
que essa minha
vela
já derreteu-se por
inteira.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Ele e Ela


Ela não quer esse teu
humor pequeno.
Não quer aquelas tuas
falas pústulas e
escuras.
Não interessa ver teu
machismo esborrar aos
litros
entre teus dentes
bem feitos.
Ela não quer sentir
o gosto do teu
romantismo alcoólico
substituir o azedume da tua
indiferença.

Não satisfaz a ele esse
teu conformismo feminino.
O fingimento da tua
segurança.
O esconderijo da tua
lágrima e adrenalina
trancada a sete folhas
dentro d'um
livro de papel.
Não interessa ouvir
a palavra alta que
dói a garganta
por motivos vis,
causando-lhe mortificação.
Muito menos a emulação
das palavras trocadas.

Mas se parece necessário,
então,
certo quem
tem e finge
não ter,
quem não
tem e finge
ter ou
quem tem ou
não tem
e não precisa fingir?

domingo, 4 de maio de 2008

Prisma


I
Teus olhos
têm tantos sonhos que
acabaram cegos
dentro da utopia.
O teimoso prisma
da tua córnea
refrata as cores da
verdade.

Inventa uma lente
de correção para
a realidade.
Pára de respirar nuvens
e despejar essas tuas
assíduas cascatas.

II
Fecha a porta da
tua personalidade
e despreocupe-se
um pouco
com que lhe traz alegria.

Da dor dessa ferida,
deixa jorrar teu
sangue frívolo e fictício.
Quem sabe assim,
tenha pelo menos
pedras sinceras
no bolso.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Poema Qualquer


Sentado numa mesa qualquer
sitiado por quaisquer objetos
vejo qualquer quimera
fotografada em preto e branco
na íris de qualquer um

Pouco fora de mim
pinto qualquer metáfora
que me faça esquecer ou lembrar
de qualquer imagem que tento
esconder

Canto qualquer rima
ou dou risada de qualquer
paródia
para que o buraco negro do meu sorriso
engula o peso de qualquer mágoa

E entre um gole e outro de qualquer bebida
sinto qualquer sofrimento efêmero
riscado na falta de explicação
para o completo vazio
da vida de qualquer
ser humano.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Livre Prisão

Democracia e liberdade de expressão
Só se sabe o verdadeiro conceito
Se diante de toda fome, preconceito
Fique calado diante da opressão

Livre é para que fique calado
Que não se revolte, seja explorado
Não pense, reflita e questione
Deixe para que os problemas se auto-solucione

Permissão tem para que regrida diante da tela
Para que esqueça de ser crítico vendo novela
E idealize uma falsa verdade! Quanta hipocrisia...
Pensa que já é escabroso o caminho, pois eu diria
Ainda não é tarde!

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Bichos Da Tribo

Nós não achamos nada,
não queremos achar
e não nos interessa saber
nem pensar muita coisa.

Quadros dinâmicos mostram as placas
por onde há o caminho a seguir,
com qual pele cobrir a nossa do frio
e qual pedra lascar pra matar
mais facilmente o bicho mais fraco que nós.

Decoramos letras
sem muito falar.
Devoramos números
cobrando a juros.
Emitimos muitos sons
sem nenhum sentido.

Somos pérfidos de nascença
engolimos carne alheia
obedecendo ao curso natural
da maldade do mundo

Na nossa apologia a beleza:
mãe natureza, até mais...
aqui vive quem é sabido
você que é mulher que só atrapalha
deve dar lugar às ambições
dos bichos da tribo.

domingo, 27 de abril de 2008

Abocanhe!

Se temos fraqueza na carne,
somos seres tão frágeis...

Para que lutar contra a fera
e não deixar que ela nos
abocanhe
comendo dessa carne tão
desprezível?



500 Anos Sem Brasil

I

Nosso clima era de um branco
Tão vivo brilho e presente.
Refletia nos olhos um verde-amarelo
Ainda nato que existia nas palmeiras.

Mas as cores se misturaram
Com a chegada dos outros.
O verde não era mais o mesmo
Nem o amarelo mais nosso
Quando o vermelho se fez mais vivo.

Picharam nosso tupi de preto
E nos plantaram um europeu amargo
De uns tons diferentes de verde.
Na tentativa de manchar nosso branco de vermelho

Então nos vimos mais lusos,
Colonizados numa terra agora pálida
Nos escritos da nossa história.
Hoje aguardamos outros portugueses
Que se dizem americanos como nós
A fim de roubar o verde que nos resta.

Por isso gritamos de modo brado e retumbante:
- Quando sentiremos novamente o sabor das nossas cores tupis?


Escrito por Rafael J. Albuquerque em parceria com a poeta Camila de Magalhães - (http://todososversos.blogspot.com/)

Dia Calado

Te entendo céu nublado
Vens como anormal
parecendo triste, feio, melancólico.
Mas na verdade
só o que trazes são notícias diferentes.

Te entendo céu nublado
Vens choroso,
mostrando as conseqüências dos fatos
e ninguém quer apanhar tuas lágrimas
que insistem em cair sobre a proteção
da indiferença alheia.

É explicável teus momentos de hostilidade
quando a tristeza e tua indignação
se misturam resultando em
fios de luz mortais aqui lançados.

Te entendo céu nublado
Vens frio, gelado...
perguntando onde estão
aquelas pessoas que te abraçariam
e as mesmas protegem-se de ti
por pensar que fazes algo de errado.

Te entendo céu nublado
Vens sozinho a procura d'outro cinza
que parece que não há.
Escute caro nuvioso:
Encontrarás um par
para compartilhar tuas lágrimas,
tua frieza e te mostrar que és natural.

Alguém que entenderá esse teu silêncio
e te dirá que não és isolado.
Degelará esse teu perpétuo olhar anuviado
Provando que não és mais nem menos
Apenas diferente de qualquer dia ensolarado.

Infância Do Meu Amanhã


Não sinto falta da minha infância,
É algo que ainda está em mim.
Não quero denovo ser criança.
Cada fase tem os seus bons momentos...

Era bom só naquele tempo.
Não é que aquela vida foi vã,
Mas gosto mais do meu hoje
Como hoje, gostei do meu ontem
Assim como vou gostar do meu amanhã...